quinta-feira, 5 de junho de 2008

o ser humano virtual_


Resultado de bons papos com colegas de trabalho na semana passada, hoje voltei do trabalho pensando nessa coisa dos universos virtuais. Ao parar no meu andar disse o habitual boa noite para minha vizinha, ilustre desconhecida e a uma parede de distância de mim. Mas ao me sintonizar em algumas grandes obras da música clássica (sim, roqueiro também gosta disso) mergulhei em um universo de séculos atrás e pude estabelecer, no espaço das emoções e dos pensamentos, uma conexão bem mais sólida. As pessoas de pé à minha volta, no metrô, estão mais distantes de mim, em um espaço afetivo, do que meus pais, que moram a 400Km daqui.

Esses espaços afetivos, estéticos, sociais e históricos transcendem o físico e o geométrico. Bom, até aqui não falei nada sobre tecnologias de ponta né? Talvez porque o ser humano possa ser entendido naturalmente e historicamente não somente como real, mas também como virtual. Afinal não somos virtuais quando sonhamos ou quando tomamos aquele pileque e nos sentimos as pessoas mais lindas do mundo (aiai...)?

Penso que as tecnologias exponenciam essas experiências. Mas ainda fico apreensivo com a forma e a intensidade que as utilizamos para nos virtualizar de tal maneira que podemos passar a rejeitar o real, em algum nível de exagero. Já me peguei fazendo isso (sim, sou meu maior crítico) e já vi pessoas radicalizando a ponto de eu não conseguir mais vê-las pessoalmente há meses (embora algumas morem "fisicamente" muito perto daqui) embora sempre estejam disponíveis para papos no msn. Uma espécie de "Pink Floyd The Wall" moderninho. Acho que devemos saber modificar e administrar os espaços em que vivemos, a conectá-los, a separá-los, a articulá-los, a pular de um espaço a outro, sem radicalismos.

Enfim, não adianta. Que venham as tecnologias e as novas virtualizações, ainda não dispenso um choppinho no bar com meus bons amigos, tudo físico.

2 comentários:

Anônimo disse...

Du, Dudu e edu,

Muito legal o seu blog.
Passei teu link para alguns amigos TI´s aqui de SP.

Continuo com a idéia do chopp.
Beijocas

Anônimo disse...

Na maioria das vezes é mais fácil conhecer melhor uma pessoa que mora há 1000 Km da gente, a qual nunca vimos, do que saber o nome do vizinho. Moro há 3 anos e meio numa casa e não sei o nome do vizinho, em compensação, já rodei 1106 Km pra visitar amigas que fiz na net e viraram reais, mas que nosso maior contato é virtual por causa da distância?

Coisas do mundo moderno ser tão virtual assim? Quem se importa se faz bem do mesmo jeito??? Talvez deixemos de viver certas coisas por causa disto, mas também a saudade da família que mora do outro lado do mundo fica bem menor graças a isto!

Ah! Te linkei do orkut rs...

Bjs!